Conhecimento

A lógica dos públicos alterou-se. Pensar neles como “todos-diferentes-todos-iguais” deixou de fazer sentido.

Numa era em que gostamos de enaltecer aquilo que nos torna únicos. Somos diferentes, todos, com muito orgulho e com as exigências e preocupações que isso acarreta. Somos diferentes e procuramos relacionar-nos com quem nos entende, com quem nos defende, com quem nos trata bem. Somos iguais apenas quando defendemos interesses comuns. Hoje com uns, amanhã com outros. Mas sempre únicos.

A evolução e a adaptação físicas não acompanham a evolução da capacidade mais intrínseca do homem – a Comunicação. Comunicamos para sobreviver, para viver, para construir ou destruir, para vencer e suceder, para vender e para comprar. Vivemos num Universo de relações construídas em objectivos comuns ou destruídas por opiniões diferentes. 

É preciso compreender toda esta complexidade para nos podermos fazer ouvir. Mais do que fazê-los perceber, as marcas e organizações têm de se fazer entender. Mas para isso têm de identificar e conhecer pormenorizadamente com quem querem conversar. E o conhecimento de cada público implica saber coisas tão simples como a cor favorita ou o estilo de sapatos que usa. Qual o objectivo de os calçarem, em que ocasião ou com que frequência. E depois perceber onde é que esses sapatos os levam, a fim de caminharmos no mesmo sentido, pelas mesmas estradas que convergem para o tão esperado local de encontro.

A lógica do “one size fits all” já não faz sentido. Vamos descalçar-nos de mitos e fórmulas ou estaremos a afundar os nossos negócios em ideias pré-concebidas no século passado. A velocidade com que as coisas mudam torna-nos incapazes de acompanhar o nosso próprio crescimento. E controlar faz parte das tentações daqueles que vivem ainda no século XX. Não se controla, acompanha-se, monitoriza-se, responde-se, fazemo-nos ouvir e lentamente ganhamos batalhas. A comunicação já não é um monólogo, uma surdez unilateral, mas sim uma rede de stakeholders interdependentes que calça diferentes sapatos e que, aqui e ali, se encontra num objectivo comum, que respeite e defenda as suas diferenças.

Em última análise sempre o foi, mas agora tornou-se visível e transparente.

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